quinta-feira, 16 de maio de 2013

A farinhada e as capturas das tainhas


Meu avó costumava dizer que os meses de maio e Junho eram muito farturentos. Nesses meses começavam a colheita da mandioca para fabricação da farinha nos engenhos. Antigamente movido a bois a mandioca eram raspada a mão por mulheres, muitas trabalhadoras que não mediam esforços para ajudar seus maridos. Era um trabalho árduo  porque enfrentavam a invernada as vezes grávidas ou com filhos pequenos. Era uma delicia passar por um engenho e sentir o cheirinho da farinha quentinha. A mulherada faziam bijú,  rosca de polvilho, tapioca, cuscus e outras delicias da roça tudo extraído da mandioca. Em Maio os pés de laranjas ficavam amarelos no ponto de colher, era uma maravilha ver tanta fartura para nós e os pássaros degustar-las. A rapaziada aproveitavam e armavam arapucas para pegar sábias bem gordos era muito bom, claro naquela época por que fazer isso agora é crime. Para os pescadores Maio é o mês tão esperado para captura das tainhas, no passado não existia geladeiras ou frigoríficos então a solução era escalar tipo uma salga onde o peixe é aberto pelas costas colocando muito sal e posto para secar ao sol. Nas casas dos pescadores víamos varais feitos de bambus com tainhas expostas ao sol, depois de secas embrulhadas na farinha assim conservavam e duravam  o ano todo. Os donos de engenhos compravam o peixe ou trocavam por farinha, assavam na brasa e faziam pirão para comer com a tainha assada. Não tem explicação do sabor era bom demais! Eu vivi essa vida aqui na nossa ilha, sinto saudades e me orgulho de meu passado e de ser mané!

quinta-feira, 7 de março de 2013

O manézinho da Ilha !

Antigamente o dinheiro era muito escasso, as pessoas trabalhavam nas lavouras e pesca. As moradias eram pequenas casas feitas de barro, bambu, sem assoalho e com telhas de calha ou palha. Não ofereciam nenhum conforto sem água encanada e sem luz elétrica. O pessoal da cidade tinham casas melhores de tijolos maciços. A casa de minha avó era muito simples só hávia um fogão e uma mesa com bancos feitos de  madeira, uma cama de casal com colchão de capim onde os pais dormiam. Os filhos dormiam  no chão forrado com esteiras, as panelas eram de barro ou ferro que faziam comidas saborosas. O ferro de passar roupas também era de ferro tinhamos que colocar brasa dentro para esquentar. Os banhos eram em gamela feita de madeiras como a família era grande e a agua  tinha que ser buscada muito longe, os banhos eram poucos só lavavam o principal  as vezes era preciso lavar duas pessoa na mesma água da gamela que era muito pequena, só tomavam banho por inteiro aos sabádos. As roupas eram poucas, faltava dinheiro para comprar tecidos por isso as mulheres tinham o costume de remendá-las. Hoje usamos esses remendos nas roupas de caipira para festas juninas. As mulheres  usavam chitas para confeccionar seus vestidos. Eram prendadas  bordavam, costuravam as roupas a mão e faziam muita renda de bilros, desde pequenas ajudavam as mães nos afazeres domésticos. O que não podia faltar nas casas era o pilão para socar o café que colhiam e torravam. Os peixes, as carnes tinham que escalar e secar ao sol, pois não tinha como congelar. A comida do manézinho era o pirão com peixe e frutos do mar, nos cafés serviam farofas de banana ou ovo, batata doce e aimpim. O pouco dinheiro que recebiam eram  de coisas que vendiam para o pessoal da cidade. Não podia faltar as ervas para chás, qualquer que fosse a dor sempre tinha um chá específico, era o unico meio de combater as "moléstias" assim dizia minha avó. Quando os chás não resolviam o jeito era ir procurar os curandeiros que eram famosos pelas garrafadas de remédios que faziam. E assim viviam os manézinhos antigos até chegar o progresso em Florianópolis e mudar tudo, as terras e praias foram valorizadas, o turísmo chegou dando emprego para muitas pessoas e a vida por aqui mudou muito, nossa ilha não é mais a mesma como antigamente deixando saudades dos velhos e autênticos manés.

domingo, 3 de março de 2013

O lobisomem..




Os lobisomens  eram  homens   que se transformavam em animais. Isto acontecia nas noites de lua cheia.  Seus animais preferidos para  a transformação eram cachorros e porcos. A noite os homens costumavam ir  nas poucas vendinhas do vilarejo hoje chamamos de bar.Sentados em bancos   enrolando um cigarrinho de fumo de corda na palha de milho,jogando conversa fora,contavam casos e o mais importante não podia faltar:  uma boa cachaça de barril. Só que todos usavam facão na cintura,mas não  tiham pretenção de brigar  com ninguém.  O facão era usado,caso encontrassem algumas coisas estranhas  no caminho de volta para sua casa. Havia um homem muito conhecido que  estava conversando com os amigos  na venda e de repente mudou completamente. Seu Isidoro perguntou;-Ué,o que tu tens manuéli tás todo vermeio i nervoso?Manueli  oiou o relójo da paredi e fartava uns minuto pra meia noite. Intão saiu correndo. O seu  Isidoro disse  Eu tó bem disconfiado  qui essi camarada segi lobisomi.Hogi é dia de lua cheia eu vou atrás  deli ve o que ista se sucedendo.Isidoro  seguiu Manueli quando chegou numa encruzilhada não  o avistou mais .Na sua frente viu foi um grande cachorro de olhos vermelhos e pronto para lhe atacar . Isidoro  se viu em apuros então gritou ; Váleime deus, nossa senhora e puxou o facão da cintura quando o cachorro viu o facão indo em sua direção aconteceu a transformação de cachorro para homem  gritando ;Não Isidoro não faz isso so eu o Manueli. Foi ai que ficou confirmado as suspeita que Manueli realmente era um  lobisomem.         Eu tenho outro caso para contar. Um homem saiu uma noite e a mulher ficou dormindo . Na madrugada ela escutou uns barulhos estranhos como se fosse porco roncando. A mulher levantou  pensando  que seus porcos  tivessem fugido do chiqueiro. Ela usava uma camisola muito comprida, não deu nem tempo de se trocar.Pegou uma lamparina,abriu a porta e saiu na rua . Avistou um porco e tentou  pegá -lo. Foi ai que o porco  atacou a mulher, rasgando  um pedaço de sua camisola. A pobre mulher muito assustada correu para dentro de casa fechando a porta .Em seguida seu marido bateu na porta,ela foi correndo abrir e viu que seu marido tinha em seus dentes os fiapos do tecido de sua camisola, então falou; Minha nossa sinhora és tu homi que mi atacasti tu é lobisomi . O homem pediu que ela não contasse para ninguém mais ela com raiva dele contou para a vinzinhaça toda. e ele continuou a ser lobisomem.As pessoas antigas diziam que o homem que não gostava de alho na comida era lobisomem e que as mães que tivessem  sete filhos homens seguidos teria que colocar o nome de Bento. O mesmo acontecia com as filhas  sete seguidas teriam que se chamarem Benta, para no futuro não serem bruxas.As transformações aconteciam sempre nas luas cheias da meia noite até a hora que o galo cantasse pela primeira vez.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

bruxas reconhecidas




São muitos os casos que contam sobre as bruxas . Em muitos,desconfiavam que as próprias avós e madrinhas embruxavam  a criança.  A mãe percebia o desespero do filho  quando elas chegavam .  No norte da ilha havia um menino que chorava muito.Toda noite aparecia uma borboleta no quarto.Os pais chamaram a bendezeira.Realmemte a borboleta estava rodando em volta do berço.A bendezeira chamou o pai na cozinha e  falou -oia  eu vou faze uma simpatia e tu pegas a vassoura e vê se consegue quebra a asa dela.Se tu consegui, amanhã tu vai sabe quem é a disgramada que anda fazendo isto.O pai lutou tanto e quebrou a asa da borboleta.Saiu se arrastando com uma asa só e não foi mais vista naquela noite. No outro dia  cedo, apareceu a comadre com o braço quebrado na casa do menino . Então  o pai falou -Ah... és tu digraçada que andas aqui sua bruxa.A mulher saiu cabisbaixa e envergonhada e não respondeu nada. diziam os mais velhos que quando elas eram desmascaradas, o feitiço acabava e deixavam de ser bruxas.  Meu sogro contava que saiu para pescar  e levou o filho mais velho junto.Até meia noite pescaram tranquilos.    ---Ah...mais  na madrugada passei trabalho.Nóis tava na canoa, eu tarrafiando e o juvenali remando.Quando dirrepenti nois começô a iscutá umas gargaiada.Eu não liguei, mais o juvenali esti tristi começô a  faze iscarne.Ai apreceu três  broboleta grande bem icima das nossa cabeça, até arrepiou  os cabelo.Elas voavam e diziam 1,2,3. Foi ai qui o juvenali dissi :Ô meu pai, eu  vo gritá:óia rapaz, tu não brincas  com essas coisa pode se uma parença do otro mundu .Ele não me iscuto e gritô  quando elas falaram:1,2,3. Ele gritô 4.Caiu duas  rapariga nuazinha  dentro da canoa.Só deu tempo di pega os nosso palitó e tampá elas, magi eu logo conheci as duas; era as fia  du Mané Cipriano.Começaram á chora e mi contaram que era três.A mãe tava juntu  ensinando o oficio de bruxa pra fias.A mãe escapou por que era a mais sabída. Foi intaõ que tivemo que levá as duas pra casa delas e contei tudo pro pai delas.Dicertu, as três ganharam uma surra.Meu sogro voltou á pescar e não as viu mais.        

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

As crenças e bruxarias.

  Com a falta da luz elétrica, as noites eram apavorantes por aqui. Só os pescadores saiam para pesca e as mulheres sentadas fazendo renda de bilros do lado uma lamparina para clariar. Perto da meia noite alguns recém nascidos começavam a chorar como se sentise alguma dor, as maes já imaginavam que eram bruxas atacando a criança. No outro dia cedo chamavam a benzideira que entendia de bruxaria ela chegava na casa    observava marcas roxas na criança dizia: oia só minha fia teu fio tá todo chupado pelas marvada, vou ti indica uma simpatía pra modi tu faze e sarva esti menino, tu pegas uma cueca do teu marido vira duaveso e ponhi dibaixo do traviseirinho dele a tisoura aberta tambem é bom, se tu ve arguma broboleta feia é elas que tão rondando a tua casa, tu pegas bastanti aio e arruda ismaga bem e ponhi atrás da porta du quarto. A benzideira então fazia uma reza: Eu ti benzo di quebrante e mau oiado em nome di deus e da virge maria. Colocava uma figa no pescoço da criança fazia um patuá (brebe) para espantar as bruxas. Era muito rotineiro ouvir casos sobre as bruxas, vou narrar alguns. Era comum dizer que as mulheres de cabelo branco  despenteado nariz grande, sem dentes e ceú da boca fundo essas  sim tinham as característica de ser uma bruxa. A noite elas pegavam os cavalos nos pastos e calopavam dando muitas gargalhadas, os pescadores ouviam e não tinham medo já estavam acostumados. Elas provocavam fazendo tranças nas colas dos cavalos embrulhavam as redes, escondiam as canoas e tudo que faziam era bem feito, os nós que elas faziam os pobres pescadores não conseguiam desmanchar. Tudo que acontecia de ruim diziam que era arte das bruxas. As benzideiras eram  senhoras muito respeitadas e ajudavam as pessoas  livrando-as das bruxarias.

Onde e como nasciam os bêbes.

Não existia maternidade. Os partos eram feitos em casa. Mulheres corajosas chamadas parteiras, corriam quando chegava um homem a cavalo ou à charrete pedindo ajuda - corre sinhá minha mulher tá preste a dar  luz. Passavam  na casa da benzedeira pegavam seus raminhos de arruda e alecrim, lá saiam correndo. Ao chegar a parteira gritava  preciso de muita água quente. Eu escutava e me perguntava para que ela está pedindo tanta água quente? Mais eramos afastados para longe sem imaginar o que estava acontecendo.  Alguém gritava - saiam daqui a cegonha vai trazer um irmão para vocês, a cegonha tem um bico grande e vai comer vocês.Juro que não entendiamos nada  e obedeciamos muito assustados. Muitas crianças e mães morriam no parto  por falta de assistência médica. As mulheres todos os anos tinham filhos, não existia anticoncepcional. Acho que era um orgulho para os pais ter muitos filhos só que escolhiam nomes estranhos sendo que a maioria eram nomes de santos. Me contaram que tinham pais que iam no escrivão registrar depois de um ou dois anos dai trocavam a idade dos filhos. Também não havia fraldas descartáveis, eram de pano e calça  plástica.Os  bebes eram enrolados no pano chamado cueiros, ficavam parecendo um cartucho só aparecia a cabeçinha e permaneciam  enrolados até dois ou treis meses de idade. A parteira e benzedeira orientavam a mãe, vou tentar descrever da maneira como falavam que por sinal é muito engraçado. A parteira: Oia  minha fia tu tens que fazê resguardi tu num sai no vento suli num lava a cabeça antis di completa mesi e só podis comer cardo di galinha tu das bastanti chá di funcho pra criança si tu num tive  resguardi vas pega uma recaida. A bendezeira falava assim: minha fia tu cuida dos zóio grande nessa criança e se tive chorando muito di noiti podis crê qui é enbruxado ai é só manda arguem mi chama. Terminado o parto e as recomendações, voltavam para suas casas sem cobrar o serviço e tendo a certeza que teriam que voltar no ano seguinte.



domingo, 24 de fevereiro de 2013

Namoros no tempo da vovó...


Vovó  contou que os pais é quem escolhiam os namorados  para as filhas  elas só saiam para passear em boa companhia  saiam com os namorados ou amigas se fosse uma mulher casada junto com elas. As moças temiam aos pais as que não obedeciam apanhavam de cinta na frente dos namorados. Não existia lei que proibice os pais de baterem  nos filhos até os maridos batiam nas mulheres. Os homens eram machistas e as mulheres  submissas, para namorar  só os domingos, ir nas domingueiras ou bailes eram acompanhadas por pessoas de confiança mesmo juntas de seus namorados. As moças que se apaixonassem por um homem que não fosse do agrado do pai, coitada, tinha que fugir com ele. Minha mãe esperou o avô dormir botou uma trouxinha de roupas no braço pulou a janela, meu pai estava no escuro  esperando por ela; eu particularmente até acho romantico; naquele tempo não havia luz elétrica eram lamparinas, lampião ou pombocas à querozene até tochas de fogo usavam para iluminar o caminho por onde passavam caminhando quilomêtros até chegar aonde iria morar. No dia seguinte o homem tinha que voltar à casa da moça e esclarecer o que fez e se realmente viviria com ela; o pai então teria que aceitar o genro pois não ia ficar com a filha mal falada em casa. Já as moças que  não eram mais virgem  essas eram devolvidas aos pais  eram muito mal falada  e a noticia corria rápido, sendo para o pai um desgosto. Os jovens  podem até achar que estou mentindo por que hoje eles ficam, namoram, já dormem juntos, separam  numa boa e tudo isso por que os homens de hoje dão mais valor as mulheres e elas não dependem deles para sobreviver, não sendo mais submisas. Acho  que agora os namoros casamentos são bem melhores que no tempo da vovó né! 

Minha linda Floripa!

       Olá meus amigos sou uma mulher de cinquenta anos sou apaixonada  por objetos e histórias antigas. Desde meus sete anos gostava de sentar perto dos idosos e pedia que me contasse algumas história. Estudei até a sétima  série casei aos quatorze anos com coragem resolvi criar esse blogger por que adoro ler escrever mesmo sabendo que posso errar no português. Sou uma autêntica manezinha da ilha da mágia linda e bela Florianópolis, gostaria de compartilhar com os amigos como viviamos aqui  antigamente, pessoas da minha idade  que conheceram histórias (casos) diferentes dos meus fatos e compartilhar comigo. Prometo ser verdadeira  não pretendo inventar nada .