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Maravilhas do Passado
quinta-feira, 16 de maio de 2013
A farinhada e as capturas das tainhas
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quinta-feira, 7 de março de 2013
O manézinho da Ilha !
Antigamente o dinheiro era muito escasso, as pessoas trabalhavam nas lavouras e pesca. As moradias eram pequenas casas feitas de barro, bambu, sem assoalho e com telhas de calha ou palha. Não ofereciam nenhum conforto sem água encanada e sem luz elétrica. O pessoal da cidade tinham casas melhores de tijolos maciços. A casa de minha avó era muito simples só hávia um fogão e uma mesa com bancos feitos de madeira, uma cama de casal com colchão de capim onde os pais dormiam. Os filhos dormiam no chão forrado com esteiras, as panelas eram de barro ou ferro que faziam comidas saborosas. O ferro de passar roupas também era de ferro tinhamos que colocar brasa dentro para esquentar. Os banhos eram em gamela feita de madeiras como a família era grande e a agua tinha que ser buscada muito longe, os banhos eram poucos só lavavam o principal as vezes era preciso lavar duas pessoa na mesma água da gamela que era muito pequena, só tomavam banho por inteiro aos sabádos. As roupas eram poucas, faltava dinheiro para comprar tecidos por isso as mulheres tinham o costume de remendá-las. Hoje usamos esses remendos nas roupas de caipira para festas juninas. As mulheres usavam chitas para confeccionar seus vestidos. Eram prendadas bordavam, costuravam as roupas a mão e faziam muita renda de bilros, desde pequenas ajudavam as mães nos afazeres domésticos. O que não podia faltar nas casas era o pilão para socar o café que colhiam e torravam. Os peixes, as carnes tinham que escalar e secar ao sol, pois não tinha como congelar. A comida do manézinho era o pirão com peixe e frutos do mar, nos cafés serviam farofas de banana ou ovo, batata doce e aimpim. O pouco dinheiro que recebiam eram de coisas que vendiam para o pessoal da cidade. Não podia faltar as ervas para chás, qualquer que fosse a dor sempre tinha um chá específico, era o unico meio de combater as "moléstias" assim dizia minha avó. Quando os chás não resolviam o jeito era ir procurar os curandeiros que eram famosos pelas garrafadas de remédios que faziam. E assim viviam os manézinhos antigos até chegar o progresso em Florianópolis e mudar tudo, as terras e praias foram valorizadas, o turísmo chegou dando emprego para muitas pessoas e a vida por aqui mudou muito, nossa ilha não é mais a mesma como antigamente deixando saudades dos velhos e autênticos manés.
domingo, 3 de março de 2013
O lobisomem..
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Os lobisomens eram homens que se transformavam em animais. Isto acontecia nas noites de lua cheia. Seus animais preferidos para a transformação eram cachorros e porcos. A noite os homens costumavam ir nas poucas vendinhas do vilarejo hoje chamamos de bar.Sentados em bancos enrolando um cigarrinho de fumo de corda na palha de milho,jogando conversa fora,contavam casos e o mais importante não podia faltar: uma boa cachaça de barril. Só que todos usavam facão na cintura,mas não tiham pretenção de brigar com ninguém. O facão era usado,caso encontrassem algumas coisas estranhas no caminho de volta para sua casa. Havia um homem muito conhecido que estava conversando com os amigos na venda e de repente mudou completamente. Seu Isidoro perguntou;-Ué,o que tu tens manuéli tás todo vermeio i nervoso?Manueli oiou o relójo da paredi e fartava uns minuto pra meia noite. Intão saiu correndo. O seu Isidoro disse Eu tó bem disconfiado qui essi camarada segi lobisomi.Hogi é dia de lua cheia eu vou atrás deli ve o que ista se sucedendo.Isidoro seguiu Manueli quando chegou numa encruzilhada não o avistou mais .Na sua frente viu foi um grande cachorro de olhos vermelhos e pronto para lhe atacar . Isidoro se viu em apuros então gritou ; Váleime deus, nossa senhora e puxou o facão da cintura quando o cachorro viu o facão indo em sua direção aconteceu a transformação de cachorro para homem gritando ;Não Isidoro não faz isso so eu o Manueli. Foi ai que ficou confirmado as suspeita que Manueli realmente era um lobisomem. Eu tenho outro caso para contar. Um homem saiu uma noite e a mulher ficou dormindo . Na madrugada ela escutou uns barulhos estranhos como se fosse porco roncando. A mulher levantou pensando que seus porcos tivessem fugido do chiqueiro. Ela usava uma camisola muito comprida, não deu nem tempo de se trocar.Pegou uma lamparina,abriu a porta e saiu na rua . Avistou um porco e tentou pegá -lo. Foi ai que o porco atacou a mulher, rasgando um pedaço de sua camisola. A pobre mulher muito assustada correu para dentro de casa fechando a porta .Em seguida seu marido bateu na porta,ela foi correndo abrir e viu que seu marido tinha em seus dentes os fiapos do tecido de sua camisola, então falou; Minha nossa sinhora és tu homi que mi atacasti tu é lobisomi . O homem pediu que ela não contasse para ninguém mais ela com raiva dele contou para a vinzinhaça toda. e ele continuou a ser lobisomem.As pessoas antigas diziam que o homem que não gostava de alho na comida era lobisomem e que as mães que tivessem sete filhos homens seguidos teria que colocar o nome de Bento. O mesmo acontecia com as filhas sete seguidas teriam que se chamarem Benta, para no futuro não serem bruxas.As transformações aconteciam sempre nas luas cheias da meia noite até a hora que o galo cantasse pela primeira vez.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
bruxas reconhecidas
São muitos os casos que contam sobre as bruxas . Em muitos,desconfiavam que as próprias avós e madrinhas embruxavam a criança. A mãe percebia o desespero do filho quando elas chegavam . No norte da ilha havia um menino que chorava muito.Toda noite aparecia uma borboleta no quarto.Os pais chamaram a bendezeira.Realmemte a borboleta estava rodando em volta do berço.A bendezeira chamou o pai na cozinha e falou -oia eu vou faze uma simpatia e tu pegas a vassoura e vê se consegue quebra a asa dela.Se tu consegui, amanhã tu vai sabe quem é a disgramada que anda fazendo isto.O pai lutou tanto e quebrou a asa da borboleta.Saiu se arrastando com uma asa só e não foi mais vista naquela noite. No outro dia cedo, apareceu a comadre com o braço quebrado na casa do menino . Então o pai falou -Ah... és tu digraçada que andas aqui sua bruxa.A mulher saiu cabisbaixa e envergonhada e não respondeu nada. diziam os mais velhos que quando elas eram desmascaradas, o feitiço acabava e deixavam de ser bruxas. Meu sogro contava que saiu para pescar e levou o filho mais velho junto.Até meia noite pescaram tranquilos. ---Ah...mais na madrugada passei trabalho.Nóis tava na canoa, eu tarrafiando e o juvenali remando.Quando dirrepenti nois começô a iscutá umas gargaiada.Eu não liguei, mais o juvenali esti tristi começô a faze iscarne.Ai apreceu três broboleta grande bem icima das nossa cabeça, até arrepiou os cabelo.Elas voavam e diziam 1,2,3. Foi ai qui o juvenali dissi :Ô meu pai, eu vo gritá:óia rapaz, tu não brincas com essas coisa pode se uma parença do otro mundu .Ele não me iscuto e gritô quando elas falaram:1,2,3. Ele gritô 4.Caiu duas rapariga nuazinha dentro da canoa.Só deu tempo di pega os nosso palitó e tampá elas, magi eu logo conheci as duas; era as fia du Mané Cipriano.Começaram á chora e mi contaram que era três.A mãe tava juntu ensinando o oficio de bruxa pra fias.A mãe escapou por que era a mais sabída. Foi intaõ que tivemo que levá as duas pra casa delas e contei tudo pro pai delas.Dicertu, as três ganharam uma surra.Meu sogro voltou á pescar e não as viu mais.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
As crenças e bruxarias.
Com a falta da luz elétrica, as noites eram apavorantes por aqui. Só os pescadores saiam para pesca e as mulheres sentadas fazendo renda de bilros do lado uma lamparina para clariar. Perto da meia noite alguns recém nascidos começavam a chorar como se sentise alguma dor, as maes já imaginavam que eram bruxas atacando a criança. No outro dia cedo chamavam a benzideira que entendia de bruxaria ela chegava na casa observava marcas roxas na criança dizia: oia só minha fia teu fio tá todo chupado pelas marvada, vou ti indica uma simpatía pra modi tu faze e sarva esti menino, tu pegas uma cueca do teu marido vira duaveso e ponhi dibaixo do traviseirinho dele a tisoura aberta tambem é bom, se tu ve arguma broboleta feia é elas que tão rondando a tua casa, tu pegas bastanti aio e arruda ismaga bem e ponhi atrás da porta du quarto. A benzideira então fazia uma reza: Eu ti benzo di quebrante e mau oiado em nome di deus e da virge maria. Colocava uma figa no pescoço da criança fazia um patuá (brebe) para espantar as bruxas. Era muito rotineiro ouvir casos sobre as bruxas, vou narrar alguns. Era comum dizer que as mulheres de cabelo branco despenteado nariz grande, sem dentes e ceú da boca fundo essas sim tinham as característica de ser uma bruxa. A noite elas pegavam os cavalos nos pastos e calopavam dando muitas gargalhadas, os pescadores ouviam e não tinham medo já estavam acostumados. Elas provocavam fazendo tranças nas colas dos cavalos embrulhavam as redes, escondiam as canoas e tudo que faziam era bem feito, os nós que elas faziam os pobres pescadores não conseguiam desmanchar. Tudo que acontecia de ruim diziam que era arte das bruxas. As benzideiras eram senhoras muito respeitadas e ajudavam as pessoas livrando-as das bruxarias.
Onde e como nasciam os bêbes.
Não existia maternidade. Os partos eram feitos em casa. Mulheres corajosas chamadas parteiras, corriam quando chegava um homem a cavalo ou à charrete pedindo ajuda - corre sinhá minha mulher tá preste a dar luz. Passavam na casa da benzedeira pegavam seus raminhos de arruda e alecrim, lá saiam correndo. Ao chegar a parteira gritava preciso de muita água quente. Eu escutava e me perguntava para que ela está pedindo tanta água quente? Mais eramos afastados para longe sem imaginar o que estava acontecendo. Alguém gritava - saiam daqui a cegonha vai trazer um irmão para vocês, a cegonha tem um bico grande e vai comer vocês.Juro que não entendiamos nada e obedeciamos muito assustados. Muitas crianças e mães morriam no parto por falta de assistência médica. As mulheres todos os anos tinham filhos, não existia anticoncepcional. Acho que era um orgulho para os pais ter muitos filhos só que escolhiam nomes estranhos sendo que a maioria eram nomes de santos. Me contaram que tinham pais que iam no escrivão registrar depois de um ou dois anos dai trocavam a idade dos filhos. Também não havia fraldas descartáveis, eram de pano e calça plástica.Os bebes eram enrolados no pano chamado cueiros, ficavam parecendo um cartucho só aparecia a cabeçinha e permaneciam enrolados até dois ou treis meses de idade. A parteira e benzedeira orientavam a mãe, vou tentar descrever da maneira como falavam que por sinal é muito engraçado. A parteira: Oia minha fia tu tens que fazê resguardi tu num sai no vento suli num lava a cabeça antis di completa mesi e só podis comer cardo di galinha tu das bastanti chá di funcho pra criança si tu num tive resguardi vas pega uma recaida. A bendezeira falava assim: minha fia tu cuida dos zóio grande nessa criança e se tive chorando muito di noiti podis crê qui é enbruxado ai é só manda arguem mi chama. Terminado o parto e as recomendações, voltavam para suas casas sem cobrar o serviço e tendo a certeza que teriam que voltar no ano seguinte.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Namoros no tempo da vovó...
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